A Escola Municipal de Jardinagem, da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente (SVMA), oferece durante o mês de dezembro minicursos, oficinas e palestras gratuitas à população. Com exceção do minicurso de Jardinagem (que será ministrado no Parque Cemucam), os demais cursos, oficinas e palestras ocorrem na própria escola de jardinagem. Para alguns cursos é preciso levar material próprio. Portanto, é necessário se informar sobre os itens necessários no ato da inscrição.
O minicurso de Arranjos Natalinos ensina como montar uma árvore de natal feita com jornal, guirlandas em vasos de vidro e arranjos suspensos por meio de técnicas básicas. Já o minicurso de Jardinagem é uma versão condensada e de perfil prático do Curso Municipal de Jardinagem, que abordará técnicas de multiplicação de plantas, solos, hortas, árvores e arbustos, trepadeiras, gramados, forrações e plantas de interior.
Os temas das oficinas e palestras são variados e incluem compostagem doméstica, atendimento às plantas (neste é preciso levar a planta a ser atendida), análise de projetos de paisagismo, conceitos sobre o funcionamento dos ciclos de natureza, como tratar pragas e doenças de plantas, manutenção de canteiros, entre outros. A idade mínima para participar é de 10 anos.
As inscrições podem ser feitas pelo telefone 5539-5291, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 16h, ou pessoalmente na secretaria da Escola de Jardinagem localizada no prédio da administração do Parque Ibirapuera, próximo do portão 4 ou, ainda, pelo e-mail oficinasjardim@prefeitura.sp.gov.br.
No momento da inscrição é preciso informar nome completo, documento de identidade e um telefone fixo. Além disso, é preciso confirmar presença pelo telefone ou e-mail nas datas e nos horários das oficinas e palestras, conforme a programação abaixo.
Sem a confirmação, as vagas serão cedidas aos candidatos da lista de espera, que deverão ligar dois dias úteis antes do evento para verificar se existem vagas por desistência.
Se o número de participantes não preencher as vagas, as oficinas e palestras serão canceladas e os inscritos avisados no dia anterior.
A Escola de Jardinagem fica na avenida Pedro Álvares Cabral, s/nº, prédio da administração do Parque Ibirapuera.
Confira a programação
Minicurso "Arranjos Natalinos”
Facilitadora: Lesly Monteiro
Objetivo: Introduzir técnicas básicas para arranjos natalinos.
Data/horário: de 5 e 12/12, das 14h às 18h
Observação: Para os dois dias é necessário que os participantes tragam material próprio.
Oficina "Compostagem Doméstica"
Facilitadora: Bióloga Assucena Tupiassú
Objetivo: Mostrar como produzir o composto orgânico com resíduos gerados diariamente em casa.
Data/horário: 1º/12, às 14h
Oficina "Atendimento às Plantas"
Facilitadores: Engenheiros Agrônomos Oswaldo e Juscelino
Objetivo: Fornecer aos participantes informações personalizadas dos fatores de cultivo e manutenção de plantas em geral, como: fazer mudas, controlar pragas e doenças e poda de condução.
Datas/horários: 2/12, às 14h, e 16/12, às 9h
Observação: O participante deverá trazer sua planta e/ou amostra para análise dos engenheiros que farão o atendimento.
Palestra "Análise de Projetos de Paisagismo"
Facilitadora: Bióloga Assucena Tupiassú
Objetivo: Apresentar estudos de casos de projetos de paisagismo, para que os participantes tenham uma percepção/visão real das etapas do desenvolvimento de um jardim.
Data/horário: 3/12, às 14h
Oficina "Terrário: Um Pedacinho de Natureza"
Facilitadoras: Bióloga Maria de Lourdes e Estagiária Marcella Carla de Araujo
Objetivo: Propiciar aos participantes conceitos básicos sobre o funcionamento dos ciclos da natureza a partir da criação de um ambiente que simule, em pequena escala, as condições naturais do planeta Terra.
Data/horário: 7/12, às 14h
Oficina "Manutenção de Canteiros"
Facilitador: Estagiário Ivan Arouca Garofalo
Objetivo: Apresentar técnicas sobre manutenção de canteiros residenciais.
Data/horário: 8/12, às 14h
Palestra "Alimentação Saudável"
Facilitador: Engenheiro-agrônomo Oswaldo
Objetivo: Mostrar aos participantes a importância da alimentação na manutenção da saúde e prevenção de doenças.
Data/horário: 9/12, às 9h
Oficina “Conhecendo as Árvores do Parque Ibirapuera”
Facilitador: Engenheiro-agrônomo Mário
Objetivo: Mostrar aos participantes, através de uma trilha, a riqueza de espécies presentes no Parque Ibirapuera.
Data/horário: 10/12, às 9h
Palestra "Mudanças Climáticas"
Facilitadora: Rachel Costa Glueck
Objetivo: Fornecer aos participantes informações a respeito de mudanças climáticas, conscientizando-os sobre o assunto.
Data/horário: 10/12, às 14h
Palestra "Pragas e Doenças"
Facilitador: Engenheiro-agrônomo Mário
Objetivo: Apresentar aos interessados informações básicas a respeito das pragas e doenças de plantas.
Data/horário: 15/12, às 9h
Minicurso de Jardinagem
Facilitador: Marco Aurélio Gattamorta
Objetivo: Apresentar uma versão condensada e de perfil prático do Curso Municipal de Jardinagem. São oito temas, distribuídos em quatro encontros de quatro horas cada um: jardinagem, solos, multiplicação de plantas, hortas, árvores e arbustos, trepadeiras, gramados e forrações, plantas de interior.
Local: Parque Cemucam - rua Mesopotâmia, s/nº – km 24,5 da rodovia Raposo Tavares – Granja Viana
Tel: (11) 4702-2126
Data/horário: de 7 a 11/12, a partir das 13h
43 DIA MUNDIAL DAS COMUNICACÕES
«Novas tecnologias, novas relações.
Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”
Domingo da Ascensão, 24 de maio 2009
Joana T. Puntel1
Introdução
Há quarenta e três anos, o Magistério da Igreja, através das mensagens dos Papas
Paulo VI, João Paulo II e, atualmente, Bento XVI, acompanham o desenvolvimento e as
contínuas mudanças que ocorrem no âmbito da comunicação, um fenômeno em contínua
transformação, na explosão de sua criatividade, de suas articulações e de suas
conseqüências na sociedade contemporânea. O primado de tais mensagens, segundo a
missão fundamental da Igreja, tem sido sempre a de colocar a pessoa humana como centro
do papel histórico e da função que os meios de comunicação têm na construção do viver
humano, segundo a sua vocação basilar de ser humano e filho de Deus.
Sobre o Dia Mundial das Comunicações
É sempre importante mencionar a origem e trajetória do Dia Mundial das
Comunicações a fim de que se crie uma cultura sobre a profundidade de um “mandato” da
Igreja, e que passa despercebido, inclusive, por vários setores da Instituição. Trata‐se de algo
solicitado pelo Concílio Vaticano II, quando a Igreja, levando em consideração as profundas
transformações da sociedade e avanços na área tecnológica em todos os setores, percebeu,
também, o seu “despreparo” neste campo. Assim, a ela entendeu que, a respeito da
comunicação, não bastava apenas a profissionalização e competência técnica no uso dos
meios, mas o compreender a evolução da comunicação, na suas mais diferentes expressões,
como linguagem, cultura e, sobretudo, como elemento articulador da sociedade.
Encontramos, então, no Decreto Inter Mirifica (n.18) “Para reforçar o variado
apostolado da Igreja por intermédio dos meios de comunicação social celebre‐se
anualmente, nas dioceses do mundo inteiro, um dia dedicado a ensinar aos fiéis seus
deveres no que diz respeito aos meios de comunicação, a se orar pela causa e a recolher
fundos para as iniciativas da Igreja nesse setor, segundo as necessidades do mundo
católico”.
1 Joana T. Puntel é irmã Paulina. Jornalista, doutora em Comunicação Social pela Simon Fraser University
(Canadá) e pela USP-SP. É coordenadora dos Cursos no SEPAC-SP. Docente e Coordenadora da Iniciação
Científica na FAPCOM. Membro da Equipe de Reflexão sobre Comunicação da CNBB.
2
Com a finalidade de levar adiante a atenção‐ação nesse importante setor da
comunicação, e lembrando o reconhecimento que o decreto Inter Mirifica (Concílio
Vaticano II) externara sobre a importância da comunicação, o Papa Paulo VI, cria, em 1964,
através do documento In fructibus multis, a Pontifícia Comissão para as Comunicações
Sociais, com a finalidade de coordenar e estimular a realização das propostas dos Padres
Conciliares.
A fim de colocar em prática as recomendações já mencionadas, a Pontifícia Comissão,
após receber o parecer de presidentes de Comissões Episcopais, em 1964 e 1965, sobre
como aplicar o que foi estabelecido no n.18 do Inter Mirifica, criou o Dia Mundial das
Comunicações Sociais (em 1966), com a aprovação do Sumo Pontífice. E no dia 7 de maio de
1967 celebrou‐se pela primeira vez, no mundo inteiro, o dia Mundial das Comunicações
Sociais (celebrado sempre no domingo da Ascensão).
Se quiséssemos, então, sintetizar, três foram os objetivos fixados pelo Concílio
Vaticano II e, um quarto, pela Instrução Pastoral Communio et Progressio:
1. A formação de consciências frente às responsabilidades que tocam a cada indivíduo,
grupo ou sociedade, como usuários desses meios.
2. O convite dirigido a todos os que crêem para rezar a fim de que tais meios sejam
empregados conforme o desígnio de Deus sobre a humanidade (ou seja, para o bem
comum).
3. O estímulo oferecido aos católicos para sustentar com generosidade, num gesto de
solidariedade, as iniciativas de evangelização no campo da comunicação social.
4. Realçar o papel de todos os que trabalham no área da comunicação (Communio et
Progressio n.° 167).
Portanto, com o intuito de “suscitar na Igreja e no mundo uma atitude social nova e
salutar com relação ao uso desses instrumentos”, desde 1967, os Papas escrevem
anualmente uma mensagem, discorrendo sobre o tema escolhido para a reflexão de cada
ano. Em 2009, temos a significativa mensagem de Bento XVI “Novas tecnologias, novas
relações. Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”
A crescente consciência da Igreja a respeito da comunicação
Primeiramente, percebe‐se a atualidade da mensagem, expressa já no título por
parte de Bento XVI, que reafirma o pensamento positivo do Magistério sobre a
comunicação, semeado ao longo de seus documentos. E’ a consideração das “maravilhosas
invenções técnicas”, dons de Deus, na medida que criam laços de solidariedade entre as
pessoas, e são também o resultado do esforço humano, portanto do processo histórico ‐
científico. O avanço das tecnologias de comunicação, entretanto, constitui para a Igreja, não
somente objeto de “uso” dos meios, mas uma preocupação e um incentivo para perceber a
comunicação “mais do que um simples exercício na técnica” (Igreja e Internet,n.3).
Na verdade, a Igreja, já no seu documento Redemptoris Missio (n.37c‐1990),
chamava a atenção para um aspecto fundamental que constituiu a grande “reviravolta” da
3
reflexão do magistério eclesial em relação ao mundo da comunicação e que é de capital
importância neste momento da historia Igreja‐sociedade. A Igreja esforçou‐se para
compreender os new media, e progrediu no expressar‐se com mais clareza a respeito do
impacto que eles têm na construção social, e passou, então, a refletir sobre a comunicação
(embora há ainda muito caminho a fazer!) não mais de forma restrita ou somente como
“meios” ou “instrumentos” (isolados) a serem usados ou dos quais precaver‐se. Mas ela
refere‐se a como que um “ambiente”, no qual estamos imersos e do qual participamos.
Trata‐se de uma cultura. A cultura midiática, onde a comunicação é o elemento articulador
das mudanças que ocorrem na sociedade de hoje.
Há uma crescente consciência das profundas transformações operadas pelos novos
meios de comunicação e, portanto, diz o referido documento “não é suficiente, usá‐los [os
meios] para difundir a mensagem cristã e o Magistério da Igreja, mas é necessário integrar a
mensagem nesta « nova cultura », criada pelas modernas comunicações”.
Um cenário em mudança
Hoje, vivemos uma “encruzilhada” perante os desafios da cultura midiática, pois a
comunicação se apresenta progressivamente como elemento articulador da sociedade.
Desafios que ultrapassam o “uso” da tecnologia e tocam a esfera da cultura e da questão
ética, e, portanto, do ser cristão (discípulo e missionário, segundo o que nos aponta o
documento de Aparecida), no grande e moderno areópago das comunicações. (cf. RM 37,
c).
Seria redundância dizer que a comunicação é um dos fenômenos mais importantes
dos séculos 20 e 21. Hoje, a comunicação é o “tema central” de um grande número de
correntes intelectuais que pensam sobre ela, com abordagens de longo alcance que formam
um corpo consistente de visões rivais sobre a matéria, embora tem‐se de admitir que o
campo da Comunicação apresenta‐se desarticulado, conflituoso e, por vezes, confuso
devido à velocidade e complexidade com que se misturam mercado, tecnologia, e
necessidade do ser humano relacionar‐se. O mundo da comunicação se articula, favorece e
se movimenta dentro de sistemas existentes que tocam a esfera da antropologia, do sóciocultural
e, portanto, inclui o âmbito humano‐cristão.
No contexto de pós‐modernidade, a comunicação, descrita, hoje, com uma variedade
e diversidade de definições, conquistou, ao longo do tempo, novos parâmetros junto à
economia, à política, à filosofia e à cultura. Não obstante a diversidade de ângulos, há um
consenso entre os estudiosos da sociedade ao indicar a comunicação como um aspecto
essencial, que articula e move a lógica da mudança hoje.
Não há dúvida de que todo o universo da comunicação foi sensivelmente
influenciado, nos últimos anos, pela intervenção de novidades técnicas que revolucionaram
as características das modalidades operativas, dos valores e dos aspectos culturais. O
decênio (1990‐2000) foi definido como década digital e sua incidência na sociabilidade e
modalidades de conexão (relacionamento) no viver cotidiano se configuram como um dos
desafios essenciais para pensar e compreender o lugar ocupado pela comunicação,
especialmente na sua versão midiática, no mundo contemporâneo. O progresso das novas
tecnologias convive sempre mais com o nosso dia‐a‐dia e se verifica, de forma crescente,
uma invasão eletrônico‐comunicativa do social.
4
Quando olhamos em volta, logo percebemos o quanto a nossa sociedade está
repleta, num caminho ascendente, de pequenas janelas digitais que atraem nossa atenção.
“Janelas” que prometem notícias, avisos, diversão, recados de amigos. São os visores dos
celulares, palmtops, terminais eletrônicos nos bancos, aparelhos de fax, bips, espaços de
informações em shoppings e aeroportos, computadores e televisão digital, GameBoys e
Tamagochis... entretanto, todos têm em comum o fato de que só conversam conosco se
sabemos manipulá‐los, enfatiza Rogério Costa em seu pequeno‐grande livro Cultura Digital.
Nesse contexto ocorre uma mudança que dá início a uma série de transformações, inclusive
no modo de conceber o computador, isto é, os instrumentos informáticos não são
concebidos apenas como meios de transformação e uso da informação, mas também como
instrumento de suporte para as outras atividades do indivíduo.
Vivemos em um planeta envolto em uma infinita rede comunicativa onde a pessoa,
em qualquer lugar do globo, pode entrar em contato com outra pessoa, cultura, trabalho,
entretenimento. Chegou‐se a uma etapa na qual cada ser humano se transforma em um
"nó" comunicativo coligado a todos os outros. Nessa perspectiva, não se poderá mais viver
senão "em rede". Estamos imersos no fluxo da comunicação midiatizada como se fosse
“num aquário”.
Essas inovações trazem em seu bojo vantagens indiscutíveis e notáveis progressos
também do ponto de vista sócio‐cultural. As novas tecnologias da comunicação constituem
um aspecto essencial da sociedade industrial avançada: dos bancos de dados aos
instrumentos interativos, da alta definição à realidade virtual, do satélite à fibra ótica, do
telefone celular ao fax, à Internet. A visão atual e de futuro que se propõe à sociedade na
sua mudança, hoje nos impele a olhar a comunicação social como um fenômeno cultural dos
nossos tempos, que organiza e move a globalização, a modernidade e a pós‐modernidade.
Facilmente identificamos as inúmeras modificações na esfera do trabalho, marcado
cada vez mais pela presença de computadores, da Internet e dos telefones celulares. Se
consideramos o âmbito da educação, são milhares os pesquisadores, professores,
estudantes que apostam na Internet, vendo‐a como um fator indispensável na evolução do
ensino, nas suas formas a distância e presencial. Indiscutível as profundas transformações na
área do entretenimento. Iniciando o século 21, já se apresenta a TV digital interativa que,
certamente, em um futuro muito próximo se tornará o símbolo de interação com imagens e
dados.
Novas relações
Considerando o quadro evolutivo da trajetória da comunicação, mencionado
brevemente, e a provocação que a cultura midiática cria e re‐cria na sociedade hoje, damonos
conta de que algo, nunca vivido anteriormente, está se passando e “forjando um novo
sujeito” na sociedade, onde permanecem necessidades fundamentais do ser humano, mas
modificam‐se rápida e profundamente a sua forma de se relacionar. É o que constitui o
aspecto antropológico‐cultural da mensagem de Bento XVI em seu tema “Novas tecnologias.
Novas relações”.
Colocada no contexto da “pós‐modernidade”, a comunicação não se restringe a mais
um único setor da atividade humana (aquele dos meios de comunicação social). Ela inaugura
o advento de um complexo modo de viver, redistribui e interage com a cotidianidade das
pessoas, onde se constroem os significados através das formas simbólicas e da diversidade
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da linguagem da mídia. Já advertia André Lemos a respeito do ciberespaço, como um novo
ambiente que cria uma nova relação entre a técnica e a vida social2. Espaço onde se
encontram as culturas e os vários modos de pensar, de agir, de sentir.
O eixo fundamental reside no fato de compreender o que significa encontrar‐se
diante de uma verdadeira “revolução” tecnológica que exige ir além dos instrumentos, e
tomar consciência das “mudanças” fundamentais que as novas tecnologias operam nos
indivíduos e na sociedade, por exemplo, nas relações familiares, de trabalho, entre outros. A
questão não se coloca, portanto, entre o aceitar ou rejeitar. Estamos diante de um
fenômeno global, que se conjuga com tantos outros aspectos da vida social e eclesial. As
palavras de João Paulo II na encíclica Redemptoris Missio são claras: “Não basta usar (os
meios) para difundir a mensagem cristã...mas é preciso integrar a mensagem nesta “nova
cultura” criada pela comunicação social” (n. 37 c).
A questão de fundo, portanto, já não é apenas reconhecer que os meios de
comunicação passaram, em pouco tempo, de emergentes na vida social, para uma
centralidade na maneira de estruturar e explicar essa vida social. A questão de fundo
ultrapassa o “reconhecer” e reside na sua significação, ou seja, no seu lugar social.
Coloca‐se, então, aqui o ponto fundamental na discussão atual da cultura digital ou
seja, no fenômeno das novas tecnologias, é preciso fazer atenção para não considerar a
convergência somente como um processo tecnológico que une múltiplas funções dentro dos
mesmos aparelhos. Mas, a convergência, segundo Henry Jenkins3 representa, sim, uma
transformação cultural, na medida em que consumidores são incentivados em procurar
informações e a fazer conexões em meio a conteúdos midiáticos dispersos. Trata‐se ce uma
“cultura participativa” que contrasta com noções mais antigas sobre a passividade dos
espectadores dos meios de comunicação. Em vez de falar sobre produtos e consumidores de
mídia como ocupantes de papéis separados, podemos, agora considerá‐los como
participantes interagindo de acordo com um novo conjunto de regras que nenhum de nós,
realmente, entende por completo. De maneira que a convergência não ocorre, continua
Jenkins, por meio de aparelhos, por mais sofisticados que venham a ser. “A convergência
ocorre dentro dos cérebros de consumidores individuais e em suas interações sociais com
outros”.
Refletimos, então, nas novas relações que as novas tecnologias vem provocando e já
realizando, como vimos ao longo do texto. Mudam as formas, mas a necessidade humana
de nos relacionarmos permanece. É de grande importância reter o conceito fundamental de
que o ser humano vive a dinâmica constante de auto‐compreensão de si mesmo, bem como
de auto‐construção. É por isso que sempre falamos de sua necessidade intrínseca de estar
em relação consigo mesmo, com a sociedade, com o outro e com o transcendente. O ser
humano busca sempre a relação, o contato com o outro.
Especialmente, na cultura digital, é enorme a capacidade de relação dos indivíduos
com os inúmeros ambientes de informação. São as famosas interfaces, pois se colocam
entre os usuários e tudo aquilo que eles desejam obter. O mundo está a um clique, onde se
encontram informações, também o excesso, a escolha, a incerteza: isto é, a manipulação de
dados, imagens, sons, as conexões através da Web, a formação das comunidades virtuais,
oportunidades de protestos, de defesa de direitos humanos, convites às mais variadas
2 André LEMOS. Cibercultura – tecnologia e vida social na cultura contemporânea. Porto Alegre: Sulina,
2002.
3 Henry JENKINS. Cultura da Convergência.. S.Paulo: Editora Aleph, 2008.
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formas de participação... formam o dia‐a‐dia do individuo hoje. Isto implica em novas
relações (R.Costa, op.cit).
Algo importante, porém, é preciso enfatizar na transformação comunicacional: nas
múltiplas formas de conhecer, ser e estar, portanto, nos usos das novas tecnologias, “a
mente, a afetividade e a percepção são agora estimuladas, não apenas pela razão ou
imaginação, mas também pelas sensações, imagens em movimento, sonoridades, efeitos
especiais, visualização variada do impossível, encenação de outras lógicas possíveis de
construir realidades e se construírem como sujeitos.4
“...Promover uma cultura de respeito, de diálogo, de amizade”
Partindo, então, do novo mapa, ou da re‐configuração do processo comunicacional,
na sociedade contemporânea, somos convidados a pensar que a sociedade atual se rege
pela midiatização, quer dizer, pela tendência à virtualização das relações humanas, à
excitação de todos os sentidos e emoções, à provocação do imaginário e dos desejos. Hoje, o
indivíduo é solicitado a viver pouco auto‐reflexivamente e mais na superficialidade do que
percebe, sabe e sente. No horizonte comunicacional da interatividade absoluta, põem‐se em
primeiro plano o envolvimento sensorial, a pura relação. A própria recepção ou consumo
dos produtos midiáticos pode ser vista como uma atividade rotineira integrada em outras
que são características da vida cotidiana.
Daí a importância de observar, educar e trabalhar com cuidado as interações, os usos
e os consumos no contexto das dinâmicas culturais. Assim, a atenção se volta,
primeiramente, para os processos que estão envolvidos na recepção, no modo de construir
significados, os mecanismos de re‐significação, a aplicação da simbologia midiática entre
outros aspectos. Aí acontecem os processos de negociação, de significação, dos novos
sentidos. Pois, como vimos, com as novas tecnologias, aonde estamos imersos, não temos
mais simplesmente novos aparatos, mas sobretudo novos espaços simbólicos, geração de
significados, formas inéditas de relações, oportunidades de novas identidades, novos
sujeitos.
A mensagem de Bento XVI, para este 43º Dia Mundial das Comunicações vem nos
dizer, entretanto, que, justamente, nesse novo panorama comunicacional, por vezes
assustador, está a oportunidade de promover uma cultura de respeito, de diálogo, de
amizade. Tudo depende de uma pessoa bem formada nos princípios. Isto requer:
• sistemas educativos que apontem, desde a infância, para essa possibilidade (e
para isso, os documentos da Igreja, sobretudo Igreja e Internet e Ética na
Internet ‐2002, são enfáticos sobre tal necessidade). Uma educação (escolas,
Universidades), competente em compreender e discutir as modalidades e
linguagens comunicacionais contemporâneas, apresentando e dialogando
sobre os valores essenciais da pessoa humana, sob o ponto de vista humanocristão.
Assim, o conteúdo que circulará nas “interatividades” existentes na
cultura digital será de respeito, de amizade e de valorização do ser humano.
Trata‐se de grande oportunidade para a educação, pois toda a expressão
comunicacional será o “produto” daquilo que a pessoa tem dentro de si,
como princípio, como valor;
4 Silvia H.S. BORELLI/João FREIRE FILHO (Orgs.). Culturas juvenis no século XXI. S. Paulo EDUC, 2008.
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• a produção de programas (softwares, etc) e conteúdos que favoreçam uma
plataforma que oportunize e promova o desenvolvimento de conteúdos que
constroem e alimentam o respeito, a dignidade e as relações de amizades e
bem estar do ser humano. A circulação desses valores, nas interconexões, nas
interfaces que as novas tecnologias nos proporcionam, dependem também da
criatividade de quem produz comunicação – os operadores da comunicação.
Reside aqui uma tarefa de grande responsabilidade, a quem o Papa faz um
apelo todo particular. De modo especial, são eles os atores principais na
construção de uma sociedade pautada nos valores e a quem devemos apoiar
e nos unir.
Oxalá, a mensagem de Bento XVI seja de estímulo para a discussão, o debate, a
conscientização e a geração de novas criatividades, dentro e fora da Igreja, para a
construção de uma sociedade comunicacional baseada na promoção do respeito, do diálogo
e da amizade. Valores estes constitutivos da evangelização, missão essencial da Igreja.